Meu corpo frágil cai.
Se desmonta com o vento e a água do mar.
Despenco. Lamento.
Caio e saio de mim.
Me perco e me destituo de mim.
Me vejo ir.
Longe não sei voltar.
Meu pranto me cega.
Minha dor me carrega.
Labirinto de falsas palavras.
Falsas camadas.
De pó.
De areia do mar, presa nas roupas, nos cabelos, no andar.
Mas teu som me alcança.
Tua mão.
Teu olho de lince.
Me joga pra cima, pro lado, pro ar.
Me desfaço de caos.
Me refaço de paz.
Teu beijo me ampara.
Teu calor me dispara.
Sou eu, inteira.
Recapturada em suspenso, a arfar.
............
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Sem título
Quando haverá tempo para se escrever poesia?
Quando a linha entortar
e surgir uma bolha de ar
na lista de compras para o jantar.
Farpas
Todos os dias uma migalha feita de farpas.
Todos os dias farpas de aço cravadas nas unhas.
Unhas roídas de tempo perdido.
Tempo mordido.
Deglutido feito fumaça que engasga.
sábado, 29 de outubro de 2011
Mais do mesmo.
Hoje, sempre entre ontem e amanhã.
Um vazio entre o que se pensa e o que se sente.
Como se agarrar ao que se faz de conta?
(De novo?)
Mentirinhas ao pé da cama.
Fantasmas. Chagas. Berros.
E o sangue sempre a jorrar.
Valorizar a sombra e desmerecer a luz.
Queda diante da verdade. Máscaras que vendam os olhos.
Mão com luva.
Peito fechado.
Um vazio entre o que se pensa e o que se sente.
Como se agarrar ao que se faz de conta?
(De novo?)
Mentirinhas ao pé da cama.
Fantasmas. Chagas. Berros.
E o sangue sempre a jorrar.
Valorizar a sombra e desmerecer a luz.
Queda diante da verdade. Máscaras que vendam os olhos.
Mão com luva.
Peito fechado.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Teu travesseiro de penas de ganso.
Escuta quando eu te digo
que é teu meu coração
e que é tua a minha vida.
Meus pés pisam mais forte
ao teu lado.
Minhas lágrimas caem aos montes
se te afastas.
Quero ser tua companhia,
te acompanhar junto e distante.
Quero te deixar ir,
pra te receber em abraços na volta.
Me deixa ser tua cama.
Me queira pra ser teu conforto.
Mas comigo esteja e seja:
inteiro e indispensável.
que é teu meu coração
e que é tua a minha vida.
Meus pés pisam mais forte
ao teu lado.
Minhas lágrimas caem aos montes
se te afastas.
Quero ser tua companhia,
te acompanhar junto e distante.
Quero te deixar ir,
pra te receber em abraços na volta.
Me deixa ser tua cama.
Me queira pra ser teu conforto.
Mas comigo esteja e seja:
inteiro e indispensável.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
As compras de Perséfone.
Perséfone foi às compras.
Se perdeu no meio do pomar.
Caiu em uma pilha de enlatados.
Encontrou uma novo lugar.
Se perdeu no meio do pomar.
Caiu em uma pilha de enlatados.
Encontrou uma novo lugar.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
A feiticeira e o (anti)nauta.
Ah Jasão ingrato
vai-te pra bem longe.
Me lançaste ao pó,
ao árido, à poeira seca
da terra que não dá frutos.
Me empoeiraste, Jasão.
Me tornaste opaca.
Te dei meus beijos, meu sangue.
Meu suor recebeste com mel,
mas me deixaste a morrer de sede ao teu lado.
Ah Jasão, tu não cabes mais em mim.
Me banhei na tempestade,
me hidratei até me afogar.
A chuva inundou meus passos,
me fez líquida e luminosa.
A chuva me fez liquidar tua presença em mim.
Hoje sou feita do que não te pertence, Jasão.
Sou feita do que és incapaz de entender e tocar.
Na tua terra rachada minhas gostas não se derramam,
não tentam mais escorrer pelas tuas fendas escuras, tuas paredes duras.
Sempre foste inábil para viver a chuva,
beber a enchente,
lamber a umidade
que invadia tua casa inóspita.
Jasão de barro quebradiço e farelento!
Precisas de mais para virar terra fértil, lar acolhedor!
Agora eu sou pomar, Jasão!
Pomar molhado de orvalho e carregado de frutas.
Minhas árvores renasceram no temporal.
A água limpou tua névoa seca de areia ao vento.
Sou verdejante outra vez.
vai-te pra bem longe.
Me lançaste ao pó,
ao árido, à poeira seca
da terra que não dá frutos.
Me empoeiraste, Jasão.
Me tornaste opaca.
Te dei meus beijos, meu sangue.
Meu suor recebeste com mel,
mas me deixaste a morrer de sede ao teu lado.
Ah Jasão, tu não cabes mais em mim.
Me banhei na tempestade,
me hidratei até me afogar.
A chuva inundou meus passos,
me fez líquida e luminosa.
A chuva me fez liquidar tua presença em mim.
Hoje sou feita do que não te pertence, Jasão.
Sou feita do que és incapaz de entender e tocar.
Na tua terra rachada minhas gostas não se derramam,
não tentam mais escorrer pelas tuas fendas escuras, tuas paredes duras.
Sempre foste inábil para viver a chuva,
beber a enchente,
lamber a umidade
que invadia tua casa inóspita.
Jasão de barro quebradiço e farelento!
Precisas de mais para virar terra fértil, lar acolhedor!
Agora eu sou pomar, Jasão!
Pomar molhado de orvalho e carregado de frutas.
Minhas árvores renasceram no temporal.
A água limpou tua névoa seca de areia ao vento.
Sou verdejante outra vez.
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