Escuta quando eu te digo
que é teu meu coração
e que é tua a minha vida.
Meus pés pisam mais forte
ao teu lado.
Minhas lágrimas caem aos montes
se te afastas.
Quero ser tua companhia,
te acompanhar junto e distante.
Quero te deixar ir,
pra te receber em abraços na volta.
Me deixa ser tua cama.
Me queira pra ser teu conforto.
Mas comigo esteja e seja:
inteiro e indispensável.
Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poesia. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Sereia.
A sereia na calçada.
No chão de ladrinhos escuros.
Escamas que reluzem o prata das luzes de gás.
A calçada da sereia,
que é de escarro e sombra,
de passagem e paisagem monótona,
cadência contínua.
A sereia do mar,
a sereia do rio,
a sereia da água em todo o lugar.
Cospe sal seco,
misturado à fuligem.
Bate o rabo na pedra.
Não sai de onde está.
Ser, (h)ei-a.
Descabida.
Desconcertada.
Desconjuntada.
Deslocada.
Desparatada.
Desamparada.
Desacordada.
Desaguardada.
No chão de ladrinhos escuros.
Escamas que reluzem o prata das luzes de gás.
A calçada da sereia,
que é de escarro e sombra,
de passagem e paisagem monótona,
cadência contínua.
A sereia do mar,
a sereia do rio,
a sereia da água em todo o lugar.
Cospe sal seco,
misturado à fuligem.
Bate o rabo na pedra.
Não sai de onde está.
Ser, (h)ei-a.
Descabida.
Desconcertada.
Desconjuntada.
Deslocada.
Desparatada.
Desamparada.
Desacordada.
Desaguardada.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Rainstorm.
A água que brota do chão.
Que cai do olho.
Que faz sopa no travesseiro.
O corpo dobrado.
O corpo estendido.
Dobrado um sobre o outro.
A água enche o corpo e jorra.
O corpo bebe da água e borra.
Que cai do olho.
Que faz sopa no travesseiro.
O corpo dobrado.
O corpo estendido.
Dobrado um sobre o outro.
A água enche o corpo e jorra.
O corpo bebe da água e borra.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Máquina de café.
Máquina de café.
Máquina de lavar.
Máquina de costurar.
Máquina de triturar.
Aperta o botão.
Liga.
Fast.
Slow.
Clean.
Desliga.
Máquina de café.
Máquina de furar.
Máquina de apertar.
Máquina de sufocar.
Aperta o botão.
Liga.
Morde.
Bate.
Cospe.
Desliga.
Máquina de café.
Máquina de apurar.
Máquina de requentar.
Máquina de fazer tudo igual.
Máquina de lavar.
Máquina de costurar.
Máquina de triturar.
Aperta o botão.
Liga.
Fast.
Slow.
Clean.
Desliga.
Máquina de café.
Máquina de furar.
Máquina de apertar.
Máquina de sufocar.
Aperta o botão.
Liga.
Morde.
Bate.
Cospe.
Desliga.
Máquina de café.
Máquina de apurar.
Máquina de requentar.
Máquina de fazer tudo igual.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Condiz. (conduz) [con-dor]
A mão caía sobre ela.
Arrastava com doçura e acorrentava o corpo e a vontade.
Tudo começava, aos poucos, a ser de maneira condicionada.
Condição de amor.
Pela dor e alegria de ser amor.
Arrastava com doçura e acorrentava o corpo e a vontade.
Tudo começava, aos poucos, a ser de maneira condicionada.
Condição de amor.
Pela dor e alegria de ser amor.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Homo ludens.
E o sexo é brincadeira.
É jogo de bicho.
Capuz, venda, cabra-cega.
Esconde e mostra.
Morde e suga.
Gira. Salta. Aperta e puxa.
Sal de mar e de suor na saliva.
Alegria e êxtase.
Catarse que purga o mal na infância dos adultos.
E exaustas, as crianças finalmente dormem.
É jogo de bicho.
Capuz, venda, cabra-cega.
Esconde e mostra.
Morde e suga.
Gira. Salta. Aperta e puxa.
Sal de mar e de suor na saliva.
Alegria e êxtase.
Catarse que purga o mal na infância dos adultos.
E exaustas, as crianças finalmente dormem.
terça-feira, 11 de maio de 2010
Gato e sapato.
Algoz de si.
Por se deixar refém.
Por aceitar a névoa.
Por parar de pensar.
Abandono de si.
Cabeça que se esvazia,
que quer parar de funcionar.
Coração que pede mais força.
Pra continuar a brincar.
De gato e rato.
De gato e sapato.
Por se deixar refém.
Por aceitar a névoa.
Por parar de pensar.
Abandono de si.
Cabeça que se esvazia,
que quer parar de funcionar.
Coração que pede mais força.
Pra continuar a brincar.
De gato e rato.
De gato e sapato.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Page down.
English, please.
Not anymore.
Me bastam as palavras que vem da minha boca.
Me basta o que me consitui eu mesma, do lugar de onde venho, em tudo o que vejo e que me vê, o que ouço e que me escuta.
Ela cansou.
Ela viu e foi vista pelas mentiras.
Compartilhou a dança fantástica de fantasias do avesso,
ao som do vão que lhe sobressaltava.
Cambaleou depois de tanto rodar e caiu, no chão, de mármore frio, gelado.
Feliz mentira. Diversão sem arte. Cabide pronto.
Ela colocou óculos escuros para continuar, ainda, mentindo.
Sabe-se-lá por quanto tempo.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Foi e é.
Foi a dor e foi o medo mais profundo.
Foi o corte feito à navalha.
Foi o sangue com gosto doce.
Foi a rua que se abriu por dentro.
Criou-se um fluxo de saliva, secreção, excremento, suor, paixão.
E a paixão também foi.
Falou-se muito.
Sorriu-se muito.
Tremeu-se muito.
E o tremor também foi.
Fugiu. Esquivou. Correu. Calou. Matou...
ou tentou matar.
Mas foi a vida quem retornou.
Foi a vida nas mãos, nos pés, nos cabelos curtos, na pele branca.
Foi viva pela primeira vez.
Depois da dor, depois do medo, depois do enjôo.
Olhou o espelho.
Se mostrou ao espelho.
Deixou ver.
Se viu.
Reconheceu.
E foi isso, o que não tem nome e que não se entende.
Foi o que aconteceu.
Foi o corte feito à navalha.
Foi o sangue com gosto doce.
Foi a rua que se abriu por dentro.
Criou-se um fluxo de saliva, secreção, excremento, suor, paixão.
E a paixão também foi.
Falou-se muito.
Sorriu-se muito.
Tremeu-se muito.
E o tremor também foi.
Fugiu. Esquivou. Correu. Calou. Matou...
ou tentou matar.
Mas foi a vida quem retornou.
Foi a vida nas mãos, nos pés, nos cabelos curtos, na pele branca.
Foi viva pela primeira vez.
Depois da dor, depois do medo, depois do enjôo.
Olhou o espelho.
Se mostrou ao espelho.
Deixou ver.
Se viu.
Reconheceu.
E foi isso, o que não tem nome e que não se entende.
Foi o que aconteceu.
segunda-feira, 1 de março de 2010
Por mais e sempre.
Mais e mais forte e mais rápido e mais intenso.
Tudo o que parecesse metade não fazia sentido.
Era preciso ser inteiro, estar inteiro.
Era preciso ter a alma em jogo.
Desejo de se misturar até não mais existir sem ele.
Até fazer parte dele e tê-lo parte de si.
Uma vontade insana, demente.
Sufocada em prol da vida que poderia se esgotar ali.
Mas a vida ressurge na morte...
na morte do medo de ir longe demais,
em quem almeja a eternidade e nada mais.
Tudo o que parecesse metade não fazia sentido.
Era preciso ser inteiro, estar inteiro.
Era preciso ter a alma em jogo.
Desejo de se misturar até não mais existir sem ele.
Até fazer parte dele e tê-lo parte de si.
Uma vontade insana, demente.
Sufocada em prol da vida que poderia se esgotar ali.
Mas a vida ressurge na morte...
na morte do medo de ir longe demais,
em quem almeja a eternidade e nada mais.
Assinar:
Postagens (Atom)
