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quinta-feira, 22 de julho de 2010

Sereia.

A sereia na calçada.
No chão de ladrinhos escuros.
Escamas que reluzem o prata das luzes de gás.

A calçada da sereia,
que é de escarro e sombra,
de passagem e paisagem monótona,
cadência contínua.

A sereia do mar,
a sereia do rio,
a sereia da água em todo o lugar.

Cospe sal seco,
misturado à fuligem.
Bate o rabo na pedra.
Não sai de onde está.

Ser, (h)ei-a.
Descabida.
Desconcertada.
Desconjuntada.
Deslocada.
Desparatada.
Desamparada.
Desacordada.
Desaguardada.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Baleia ou tubarão

Rasgar o ventre e sair pela boca.
É o que se faz,
quando o vazio mata o amor.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Máquina de café.

Máquina de café.
Máquina de lavar.
Máquina de costurar.
Máquina de triturar.

Aperta o botão.
Liga.
Fast.
Slow.
Clean.
Desliga.

Máquina de café.
Máquina de furar.
Máquina de apertar.
Máquina de sufocar.

Aperta o botão.
Liga.
Morde.
Bate.
Cospe.
Desliga.

Máquina de café.
Máquina de apurar.
Máquina de requentar.
Máquina de fazer tudo igual.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Vômito.

As mãos dele eram repugnantes.
O olhar dele causava náusea.

E mesmo que tudo isso ainda fosse somente o reverso do imenso desejo de tê-lo pra si...
ela o afastava e repelia.

Lutava contra si mesma, dolorida pelo estômago que se retorcia.

E não derramava uma única lágrima.

O corpo seco, árido como terra dura.