Foi a dor e foi o medo mais profundo.
Foi o corte feito à navalha.
Foi o sangue com gosto doce.
Foi a rua que se abriu por dentro.
Criou-se um fluxo de saliva, secreção, excremento, suor, paixão.
E a paixão também foi.
Falou-se muito.
Sorriu-se muito.
Tremeu-se muito.
E o tremor também foi.
Fugiu. Esquivou. Correu. Calou. Matou...
ou tentou matar.
Mas foi a vida quem retornou.
Foi a vida nas mãos, nos pés, nos cabelos curtos, na pele branca.
Foi viva pela primeira vez.
Depois da dor, depois do medo, depois do enjôo.
Olhou o espelho.
Se mostrou ao espelho.
Deixou ver.
Se viu.
Reconheceu.
E foi isso, o que não tem nome e que não se entende.
Foi o que aconteceu.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
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