A mão caía sobre ela.
Arrastava com doçura e acorrentava o corpo e a vontade.
Tudo começava, aos poucos, a ser de maneira condicionada.
Condição de amor.
Pela dor e alegria de ser amor.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Homo ludens.
E o sexo é brincadeira.
É jogo de bicho.
Capuz, venda, cabra-cega.
Esconde e mostra.
Morde e suga.
Gira. Salta. Aperta e puxa.
Sal de mar e de suor na saliva.
Alegria e êxtase.
Catarse que purga o mal na infância dos adultos.
E exaustas, as crianças finalmente dormem.
É jogo de bicho.
Capuz, venda, cabra-cega.
Esconde e mostra.
Morde e suga.
Gira. Salta. Aperta e puxa.
Sal de mar e de suor na saliva.
Alegria e êxtase.
Catarse que purga o mal na infância dos adultos.
E exaustas, as crianças finalmente dormem.
terça-feira, 11 de maio de 2010
Gato e sapato.
Algoz de si.
Por se deixar refém.
Por aceitar a névoa.
Por parar de pensar.
Abandono de si.
Cabeça que se esvazia,
que quer parar de funcionar.
Coração que pede mais força.
Pra continuar a brincar.
De gato e rato.
De gato e sapato.
Por se deixar refém.
Por aceitar a névoa.
Por parar de pensar.
Abandono de si.
Cabeça que se esvazia,
que quer parar de funcionar.
Coração que pede mais força.
Pra continuar a brincar.
De gato e rato.
De gato e sapato.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Page down.
English, please.
Not anymore.
Me bastam as palavras que vem da minha boca.
Me basta o que me consitui eu mesma, do lugar de onde venho, em tudo o que vejo e que me vê, o que ouço e que me escuta.
Ela cansou.
Ela viu e foi vista pelas mentiras.
Compartilhou a dança fantástica de fantasias do avesso,
ao som do vão que lhe sobressaltava.
Cambaleou depois de tanto rodar e caiu, no chão, de mármore frio, gelado.
Feliz mentira. Diversão sem arte. Cabide pronto.
Ela colocou óculos escuros para continuar, ainda, mentindo.
Sabe-se-lá por quanto tempo.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Foi e é.
Foi a dor e foi o medo mais profundo.
Foi o corte feito à navalha.
Foi o sangue com gosto doce.
Foi a rua que se abriu por dentro.
Criou-se um fluxo de saliva, secreção, excremento, suor, paixão.
E a paixão também foi.
Falou-se muito.
Sorriu-se muito.
Tremeu-se muito.
E o tremor também foi.
Fugiu. Esquivou. Correu. Calou. Matou...
ou tentou matar.
Mas foi a vida quem retornou.
Foi a vida nas mãos, nos pés, nos cabelos curtos, na pele branca.
Foi viva pela primeira vez.
Depois da dor, depois do medo, depois do enjôo.
Olhou o espelho.
Se mostrou ao espelho.
Deixou ver.
Se viu.
Reconheceu.
E foi isso, o que não tem nome e que não se entende.
Foi o que aconteceu.
Foi o corte feito à navalha.
Foi o sangue com gosto doce.
Foi a rua que se abriu por dentro.
Criou-se um fluxo de saliva, secreção, excremento, suor, paixão.
E a paixão também foi.
Falou-se muito.
Sorriu-se muito.
Tremeu-se muito.
E o tremor também foi.
Fugiu. Esquivou. Correu. Calou. Matou...
ou tentou matar.
Mas foi a vida quem retornou.
Foi a vida nas mãos, nos pés, nos cabelos curtos, na pele branca.
Foi viva pela primeira vez.
Depois da dor, depois do medo, depois do enjôo.
Olhou o espelho.
Se mostrou ao espelho.
Deixou ver.
Se viu.
Reconheceu.
E foi isso, o que não tem nome e que não se entende.
Foi o que aconteceu.
terça-feira, 16 de março de 2010
Medo em mim, de ti em mim.
E a paixão era ruim.
Pois tirava dela a vontade de ser livre.
Apaixonada, ela queria pertencer. Queria perder o direito de ser uma. Era dele, existia com ele e quereria o que com ele viesse.
Era assustador se ver de forma tão passiva, pacifica.
Tinha medo de isso amornar as aguas correntes dentro dela.
De amansar o animal selvagem e forte.
E se depois acabasse por se tornar um reflexo? E se perdesse o brilho proprio de quem pensa por si? E se depois se perdesse e morresse em si propria?
Essa vida em dupla aterrorizava...
No entanto, não conseguia desejar outra coisa.
O sentimento vinha mais forte do que qualquer razão disponivel.
Queria infinitamente o que mais temia.
E corria o risco.
Pois tirava dela a vontade de ser livre.
Apaixonada, ela queria pertencer. Queria perder o direito de ser uma. Era dele, existia com ele e quereria o que com ele viesse.
Era assustador se ver de forma tão passiva, pacifica.
Tinha medo de isso amornar as aguas correntes dentro dela.
De amansar o animal selvagem e forte.
E se depois acabasse por se tornar um reflexo? E se perdesse o brilho proprio de quem pensa por si? E se depois se perdesse e morresse em si propria?
Essa vida em dupla aterrorizava...
No entanto, não conseguia desejar outra coisa.
O sentimento vinha mais forte do que qualquer razão disponivel.
Queria infinitamente o que mais temia.
E corria o risco.
segunda-feira, 1 de março de 2010
Por mais e sempre.
Mais e mais forte e mais rápido e mais intenso.
Tudo o que parecesse metade não fazia sentido.
Era preciso ser inteiro, estar inteiro.
Era preciso ter a alma em jogo.
Desejo de se misturar até não mais existir sem ele.
Até fazer parte dele e tê-lo parte de si.
Uma vontade insana, demente.
Sufocada em prol da vida que poderia se esgotar ali.
Mas a vida ressurge na morte...
na morte do medo de ir longe demais,
em quem almeja a eternidade e nada mais.
Tudo o que parecesse metade não fazia sentido.
Era preciso ser inteiro, estar inteiro.
Era preciso ter a alma em jogo.
Desejo de se misturar até não mais existir sem ele.
Até fazer parte dele e tê-lo parte de si.
Uma vontade insana, demente.
Sufocada em prol da vida que poderia se esgotar ali.
Mas a vida ressurge na morte...
na morte do medo de ir longe demais,
em quem almeja a eternidade e nada mais.
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