Hoje, sempre entre ontem e amanhã.
Um vazio entre o que se pensa e o que se sente.
Como se agarrar ao que se faz de conta?
(De novo?)
Mentirinhas ao pé da cama.
Fantasmas. Chagas. Berros.
E o sangue sempre a jorrar.
Valorizar a sombra e desmerecer a luz.
Queda diante da verdade. Máscaras que vendam os olhos.
Mão com luva.
Peito fechado.
sábado, 29 de outubro de 2011
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Teu travesseiro de penas de ganso.
Escuta quando eu te digo
que é teu meu coração
e que é tua a minha vida.
Meus pés pisam mais forte
ao teu lado.
Minhas lágrimas caem aos montes
se te afastas.
Quero ser tua companhia,
te acompanhar junto e distante.
Quero te deixar ir,
pra te receber em abraços na volta.
Me deixa ser tua cama.
Me queira pra ser teu conforto.
Mas comigo esteja e seja:
inteiro e indispensável.
que é teu meu coração
e que é tua a minha vida.
Meus pés pisam mais forte
ao teu lado.
Minhas lágrimas caem aos montes
se te afastas.
Quero ser tua companhia,
te acompanhar junto e distante.
Quero te deixar ir,
pra te receber em abraços na volta.
Me deixa ser tua cama.
Me queira pra ser teu conforto.
Mas comigo esteja e seja:
inteiro e indispensável.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
As compras de Perséfone.
Perséfone foi às compras.
Se perdeu no meio do pomar.
Caiu em uma pilha de enlatados.
Encontrou uma novo lugar.
Se perdeu no meio do pomar.
Caiu em uma pilha de enlatados.
Encontrou uma novo lugar.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
A feiticeira e o (anti)nauta.
Ah Jasão ingrato
vai-te pra bem longe.
Me lançaste ao pó,
ao árido, à poeira seca
da terra que não dá frutos.
Me empoeiraste, Jasão.
Me tornaste opaca.
Te dei meus beijos, meu sangue.
Meu suor recebeste com mel,
mas me deixaste a morrer de sede ao teu lado.
Ah Jasão, tu não cabes mais em mim.
Me banhei na tempestade,
me hidratei até me afogar.
A chuva inundou meus passos,
me fez líquida e luminosa.
A chuva me fez liquidar tua presença em mim.
Hoje sou feita do que não te pertence, Jasão.
Sou feita do que és incapaz de entender e tocar.
Na tua terra rachada minhas gostas não se derramam,
não tentam mais escorrer pelas tuas fendas escuras, tuas paredes duras.
Sempre foste inábil para viver a chuva,
beber a enchente,
lamber a umidade
que invadia tua casa inóspita.
Jasão de barro quebradiço e farelento!
Precisas de mais para virar terra fértil, lar acolhedor!
Agora eu sou pomar, Jasão!
Pomar molhado de orvalho e carregado de frutas.
Minhas árvores renasceram no temporal.
A água limpou tua névoa seca de areia ao vento.
Sou verdejante outra vez.
vai-te pra bem longe.
Me lançaste ao pó,
ao árido, à poeira seca
da terra que não dá frutos.
Me empoeiraste, Jasão.
Me tornaste opaca.
Te dei meus beijos, meu sangue.
Meu suor recebeste com mel,
mas me deixaste a morrer de sede ao teu lado.
Ah Jasão, tu não cabes mais em mim.
Me banhei na tempestade,
me hidratei até me afogar.
A chuva inundou meus passos,
me fez líquida e luminosa.
A chuva me fez liquidar tua presença em mim.
Hoje sou feita do que não te pertence, Jasão.
Sou feita do que és incapaz de entender e tocar.
Na tua terra rachada minhas gostas não se derramam,
não tentam mais escorrer pelas tuas fendas escuras, tuas paredes duras.
Sempre foste inábil para viver a chuva,
beber a enchente,
lamber a umidade
que invadia tua casa inóspita.
Jasão de barro quebradiço e farelento!
Precisas de mais para virar terra fértil, lar acolhedor!
Agora eu sou pomar, Jasão!
Pomar molhado de orvalho e carregado de frutas.
Minhas árvores renasceram no temporal.
A água limpou tua névoa seca de areia ao vento.
Sou verdejante outra vez.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Ao meu amor serei atento.
Porque o meu amor é dor.
No peito assustado do homem que chora.
Amor de susto em pensar perder o que não é propriedade,
mas é a graça que vem e abençôa e fica.
O meu amor sozinho,
que vaga pelos caminhos mais estreitos,
abre caminhos não desbravados
e se perde nas terras já vistas.
Como eu amo o meu amor desatento,
que se esquece de mim e quando fui nem percebeu.
Um amor de aquário e virgem,
curioso e delicado.
É o meu amor que dorme abraçado,
mesmo quando sonha com o pesadelo.
Amor de coragem e medo, desejo e lágrima
em um peito aberto e doado sem receio.
Amor meu, dos olhos meus, do corpo meu.
Me tem sem eu saber como, sem eu poder sequer deter.
Abre meu peito e também minha alma,
me toma e me liberta mesmo que em sofrimento.
Cabe em mim o que não cabe em ti,
amor do corpo finito pro imenso espírito que contém.
No peito assustado do homem que chora.
Amor de susto em pensar perder o que não é propriedade,
mas é a graça que vem e abençôa e fica.
O meu amor sozinho,
que vaga pelos caminhos mais estreitos,
abre caminhos não desbravados
e se perde nas terras já vistas.
Como eu amo o meu amor desatento,
que se esquece de mim e quando fui nem percebeu.
Um amor de aquário e virgem,
curioso e delicado.
É o meu amor que dorme abraçado,
mesmo quando sonha com o pesadelo.
Amor de coragem e medo, desejo e lágrima
em um peito aberto e doado sem receio.
Amor meu, dos olhos meus, do corpo meu.
Me tem sem eu saber como, sem eu poder sequer deter.
Abre meu peito e também minha alma,
me toma e me liberta mesmo que em sofrimento.
Cabe em mim o que não cabe em ti,
amor do corpo finito pro imenso espírito que contém.
Sereia.
A sereia na calçada.
No chão de ladrinhos escuros.
Escamas que reluzem o prata das luzes de gás.
A calçada da sereia,
que é de escarro e sombra,
de passagem e paisagem monótona,
cadência contínua.
A sereia do mar,
a sereia do rio,
a sereia da água em todo o lugar.
Cospe sal seco,
misturado à fuligem.
Bate o rabo na pedra.
Não sai de onde está.
Ser, (h)ei-a.
Descabida.
Desconcertada.
Desconjuntada.
Deslocada.
Desparatada.
Desamparada.
Desacordada.
Desaguardada.
No chão de ladrinhos escuros.
Escamas que reluzem o prata das luzes de gás.
A calçada da sereia,
que é de escarro e sombra,
de passagem e paisagem monótona,
cadência contínua.
A sereia do mar,
a sereia do rio,
a sereia da água em todo o lugar.
Cospe sal seco,
misturado à fuligem.
Bate o rabo na pedra.
Não sai de onde está.
Ser, (h)ei-a.
Descabida.
Desconcertada.
Desconjuntada.
Deslocada.
Desparatada.
Desamparada.
Desacordada.
Desaguardada.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Hidra.
As minhas mãos tentam exaustivamente segurar a água.
Eu bebo e o corpo sua, mija, saliva.
Eu tento absorver a àgua em toalhas, camisetas, lenços de papel.
Mas vem o calor e ela evapora.
Como me manter dentro da água sem afogar?
E como deixar que ela se vá sem que eu fique seca?
Eu bebo e o corpo sua, mija, saliva.
Eu tento absorver a àgua em toalhas, camisetas, lenços de papel.
Mas vem o calor e ela evapora.
Como me manter dentro da água sem afogar?
E como deixar que ela se vá sem que eu fique seca?
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